CÂMARA DE PARANAGUÁ APROVA CRIAÇÃO DE NOVOS CARGOS SOB TENSÃO
O clima esquentou no Palácio Carijó durante a sessão desta segunda-feira (30). O que deveria ser uma votação administrativa sobre a reestruturação do Legislativo municipal transformou-se em um embate direto entre o atual presidente da Câmara, Adalberto Araújo (Republicanos), e o ex-presidente da Casa, Marquinhos Roque.
A discussão ganhou contornos de confronto pessoal enquanto o projeto era debatido no plenário. Marquinhos Roque, em tom de crítica à condução dos trabalhos e à proposta, referiu-se a Araújo como “mestre dos magos”. A resposta do presidente foi imediata e incisiva, elevando a temperatura da sessão:
“Pode me chamar de mestre dos magos, só não pode me chamar de ladrão da saúde pública de Paranaguá”, disparou Adalberto Araújo, em clara alusão a embates políticos históricos da cidade.
Por trás da troca de farpas, o projeto aprovado em primeira discussão altera profundamente a estrutura administrativa da Câmara de Paranaguá. Os pontos centrais da proposta incluem:
Expansão de Efetivos: Criação de 30 novos cargos por concurso.
Boom de Comissionados: O número de cargos de confiança quase dobra, saltando de 46 para 87 vagas.
Concentração nos Gabinetes: Dos novos postos, 76 serão destinados diretamente aos gabinetes dos vereadores.
Poder da Presidência: Outros 11 cargos ficam sob o comando exclusivo da presidência.
O custo para os cofres públicos é o principal ponto de crítica da oposição e de setores da sociedade civil. A estimativa oficial aponta um impacto financeiro anual de aproximadamente R$ 9,5 milhões.
Apesar da resistência verbal e do cenário de "caldo entornado" no plenário, a resistência política não se refletiu nos votos. O projeto avançou com facilidade, recebendo 13 votos favoráveis, apenas um contrário e uma abstenção. Dois parlamentares estavam ausentes no momento do registro.
A proposta agora segue o rito legislativo para as próximas discussões, mas a sessão desta segunda-feira deixa claro que a relação entre as principais lideranças políticas da cidade está longe da diplomacia.
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