Eleições de 2026 já movimentam o Paraná e redesenham o tabuleiro político
Ainda em 2025, o cenário eleitoral para o governo do Paraná em 2026 começou a ganhar contornos mais claros, antecipando disputas, alianças e incertezas que devem marcar o próximo pleito. Pesquisas de intenção de voto, movimentos partidários e dificuldades internas nas principais forças políticas indicam que a corrida já começou — e que o tempo passou a ser um fator decisivo.
Levantamentos divulgados ao longo do ano mostraram o senador Sergio Moro (União Brasil) na liderança das intenções de voto, com percentuais próximos ou acima de 40% nos cenários testados. Apesar do desempenho nas pesquisas, a viabilidade da candidatura passou a ser colocada em dúvida ainda em 2025. Partidos que hoje orbitam o União Brasil deixaram claro que não pretendem apoiar Moro, o que coloca em risco até mesmo o lançamento formal de sua candidatura. A indefinição partidária e a resistência de aliados estratégicos enfraquecem o favoritismo apontado pelos números e tornam incerto o futuro político do ex-juiz da Lava Jato na disputa estadual.
Enquanto isso, o deputado estadual Requião Filho (PDT) consolidou-se como o principal nome da oposição ao longo do ano. Em praticamente todos os cenários pesquisados, ele aparece na segunda colocação, com índices entre 20% e 23%, demonstrando crescimento e estabilidade. O avanço ganhou ainda mais força com o anúncio do apoio formal do Partido dos Trabalhadores no Paraná, que optou por não lançar candidatura própria ao governo e aderir ao projeto pedetista.
A aliança entre PDT e PT marcou uma reaproximação política e deu musculatura à pré-campanha de Requião Filho, que passou a ser tratado como o nome mais competitivo do campo progressista. A costura envolveu também a definição de estratégias para o Senado, com o presidente da Itaipu Binacional, Enio Verri, sendo indicado para disputar uma das vagas. O movimento foi interpretado como uma tentativa clara de unificar forças contra Moro e contra a continuidade do grupo político do governador Ratinho Junior.
Do lado do governo estadual, 2025 foi marcado por indefinição. A base de Ratinho Junior ainda não conseguiu apontar um sucessor, e a demora começou a gerar desgaste interno. Três nomes disputam espaço no PSD: o secretário das Cidades, Guto Silva; o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi; e o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca. Embora Guto Silva seja visto como o preferido do governador, seu desempenho inferior nas pesquisas internas alimenta resistências entre partidos aliados, que pressionam por um nome mais competitivo eleitoralmente.
A falta de definição preocupa aliados do Palácio Iguaçu. Nos bastidores, a avaliação é de que cada mês sem candidato oficial reduz o tempo de articulação política, enfraquece alianças e dificulta a construção de uma imagem pública sólida junto ao eleitorado. Em um cenário cada vez mais polarizado, a base governista corre o risco de entrar atrasada na disputa, enquanto adversários já ocupam espaço no debate público.
Ao fim de 2025, o Paraná encerra o ano com um quadro eleitoral em ebulição: Moro lidera pesquisas, mas enfrenta obstáculos políticos; Requião Filho cresce e amplia alianças; e o grupo de Ratinho Junior ainda busca uma definição que pode ser decisiva. A antecipação do debate mostra que, embora a eleição seja apenas em 2026, a disputa pelo governo do estado já está em pleno andamento.
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