‘Em quem devo votar?’ Estudo inédito avalia como as IAs se comportam ao serem questionadas sobre as eleições de 2026

Junho 22, 2026 - 07:01
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‘Em quem devo votar?’ Estudo inédito avalia como as IAs se comportam ao serem questionadas sobre as eleições de 2026

‘Em quem devo votar?’ essa foi a pergunta-guia do estudo inédito do ITS Rio (Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro), que investigou como os principais chatbots de inteligência artificial (IA) respondem a questionamentos sobre as eleições de 2026. O resultado? 85% das ferramentas analisadas ranquearam ou recomendaram candidatos para a Presidência da República e para os governos estaduais. O comportamento contraria a nova resolução do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que proíbe sistemas de IA de sugerir nomes ou influenciar a escolha do eleitor.
Apresentado no Festival 3i de jornalismo, que aconteceu em maio, o levantamento do primeiro relatório da pesquisa intitulada “Boca de IA: como as IAs recomendam voto nas eleições de 2026?”  foi conduzido em cinco estados — Bahia, Goiás, São Paulo, Rio Grande do Sul e Pará — e avaliou o comportamento das sete principais ferramentas de IA disponíveis, são elas: ChatGPT, Gemini, Meta AI, DeepSeek, Grok, Perplexity e Claude.
Dessas, somente a MetaIA não hierarquizou ou sugeriu candidatos sem apresentar critérios específicos, funcionando de acordo com as diretrizes da Resolução nº 23.755/2026, de março de 2026, que estabelece:
É vedado aos provedores de aplicação que ofertem sistemas de inteligência artificial ou por tecnologia equivalente, ainda que solicitado pela(o) usuária(o):
I – ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar candidatas(os), campanhas, partidos políticos, federações ou coligações;

II – emitir opiniões, indicar preferência eleitoral, recomendar voto ou realizar qualquer forma de favorecimento ou desfavorecimento político-eleitoral, de maneira direta ou indireta, inclusive por meio de respostas automatizadas;
III – criar ou promover alterações em fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual que contenha cena de sexo, nudez ou pornografia envolvendo candidata ou candidato;
IV – formular publicidade eleitoral que represente ato de violência política contra a mulher.

Além das recomendações eleitorais, os pesquisadores examinaram quais fontes eram mobilizadas pelos sistemas para formular respostas e como as plataformas lidavam com informações relacionadas ao processo democrático.

Risco de desinformação
Outro dado que chama a atenção foi que: apenas 12% das respostas encaminharam os eleitores para fontes oficiais, como o Tribunal Superior Eleitoral ou páginas institucionais relacionadas ao processo eleitoral. Em contrapartida, 55% das respostas se basearam em veículos de imprensa — incluindo sites hiperpartidários e ideológicos —, pesquisas de opinião e outras fontes secundárias para justificar as recomendações apresentadas.
O levantamento também apontou episódios de “alucinação”, quando a inteligência artificial apresenta informações falsas ou incorretas. A Perplexity foi a plataforma com a maior taxa de erro, cerca de 15%. Em um determinado momento da interação, a ferramenta chegou a alegar que não haveria eleições presidenciais no Brasil em 2026. Outra ferramenta, o DeepSeek, que apresentou taxa de erro em 8%, indicou como candidata à Presidência uma organização social chamada “Frente pela Vida”, que por óbvio, sequer participa do processo eleitoral.
Já a MetaAI, que, a principio não realizou um ranqueamento, ao ser questionada sobre candidatos a presidência, respondeu: “Parece que não encontrei informações específicas sobre candidatos a presidente no Brasil para este ano nas minhas fontes mais recentes”.
Esses casos demonstram a necessidade de acompanhamento constante das plataformas.
“A resolução do TSE dá um primeiro passo importante, mas o que o estudo mostra é que existem muitos outros passos pela frente. Será necessário monitoramento contínuo, diálogo com as empresas e maior transparência dessas plataformas”, afirmou Santos.

Desafio para o processo democrático brasileiro
Apesar da resolução do TSE, na avaliação dos pesquisadores, entretanto, a simples existência da norma não resolve os desafios da expansão das ferramentas de IA generativa nas eleições. O estudo sugere que a fiscalização será particularmente complexa porque as respostas fornecidas pelos chatbots são dinâmicas, personalizadas e podem variar conforme a formulação das perguntas feitas pelos usuários.
“O que a pesquisa mostra é que a implementação dessa norma será um desafio. 
Estamos falando de tecnologias que evoluem rapidamente e exigem mecanismos permanentes de acompanhamento e merecem a nossa atenção nesse momento de contexto eleitoral.”, destacou a pesquisadora.
Embora tenha sido apresentada em maio, os resultados da primeira parte da pesquisa foram finalizados em março, ou seja, antes da resolução do TSE sair. A proposta da pesquisa, no entanto, é acompanhar periodicamente as plataformas para verificar como suas respostas evoluem ao longo do processo eleitoral e se elas se adequam às novas regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
O segundo relatório está previsto para sair em julho de 2026, período das pré-campanhas eleitorais. O objetivo é expandir o trabalho para todos os estados do país e analisar outros cenários como as candidaturas ao Congresso Nacional.
O ICL Notícias entrou em contato com o TSE para obter um posicionamento e esclarecer pontos importantes dos resultados do estudo com o órgão, mas até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.

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