Enquanto Antonina recebe R$ 18 milhões em obras viárias, Paranaguá segue com gargalos logísticos e caos no trânsito
A empresa pública Portos do Paraná, responsável pela administração dos terminais portuários do estado, iniciou nesta segunda-feira (7) as obras de revitalização das principais vias de acesso ao Porto de Antonina. O investimento de R$ 18,4 milhões contempla melhorias significativas, como nova pavimentação em concreto, ciclovia, calçadas, sinalização e sistema de drenagem. A iniciativa atende a um pedido antigo da comunidade antoninense e tem previsão de conclusão até abril de 2026.
Enquanto isso, Paranaguá, cidade que abriga o segundo maior porto em movimentação do país, segue enfrentando graves problemas logísticos. Milhares de caminhões e vagões cruzam a cidade diariamente, travando o trânsito, gerando sujeira, mal cheiro e colocando em risco a mobilidade urbana e a qualidade de vida dos moradores. Os acessos ao porto continuam sem reformas estruturantes, e não há previsão de obras que resolvam de forma definitiva o colapso do tráfego pesado.
Por que os maiores investimentos da Portos do Paraná estão sendo direcionados a um porto de menor porte, enquanto Paranaguá, responsável pela maior fatia da movimentação de cargas do estado, permanece à margem das prioridades?
Essa pergunta ressoa entre moradores, motoristas e empresários locais que convivem com o caos diário no tráfego e com a falta de infraestrutura adequada para suportar o volume crescente de cargas. Apenas em 2024, o Porto de Antonina movimentou 1,9 milhão de toneladas — número expressivo, mas ainda distante das dezenas de milhões de toneladas operadas anualmente por Paranaguá.
É importante destacar que a Prefeitura de Antonina foi parceira ativa no projeto, elaborando e acompanhando os estudos técnicos para viabilização da obra. Em Paranaguá, no entanto, falta transparência e diálogo público sobre planos de reestruturação logística, seja por parte do município ou da empresa pública estadual.
Apesar de a Portos do Paraná ostentar o título de pentacampeã em melhor gestão portuária do país, segundo o Governo Federal, o contraste entre o que é anunciado e o que se observa nas ruas de Paranaguá revela uma contradição preocupante: o maior porto do estado — e um dos mais importantes da América Latina — segue com infraestrutura precária, impactos urbanos não resolvidos e comunidade negligenciada.
Se investimentos robustos como o de Antonina são possíveis, o que explica a ausência de um projeto similar — ou ainda mais ambicioso — para Paranaguá? É hora de a sociedade civil, lideranças locais e autoridades cobrarem com mais firmeza respostas e ações concretas. A logística portuária não pode continuar sendo um fardo para a população, enquanto os lucros e méritos da boa gestão se acumulam apenas nos relatórios de desempenho.
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