Escolas de samba do Litoral lamentam morte do carnavalesco Tino Zela
Paranaguá perdeu na sexta-feira (27), um dos nomes mais importantes da história do carnaval no Litoral do Paraná. Faleceu em Curitiba, onde estava internado, o carnavalesco Leontino Zela Filho, aos 53 anos, conhecido como Tino Zela, referência cultural e figura histórica das escolas de samba da cidade.
A notícia causou grande comoção entre sambistas, amigos e familiares, especialmente em um momento de reconstrução do carnaval, com as agremiações se reorganizando para retomar os desfiles a partir de 2026. Diversas escolas de samba da região, como Filhos da Gaviões, Escola de Samba do Batel e Filhos da Capela, publicaram notas de pesar em suas redes sociais, homenageando o artista e ressaltando seu legado.
“É uma perda irreparável. O Tino era a cara do carnaval de Paranaguá”, lamentou Cláudio Nascimento, presidente da Filhos da Gaviões. “Ele foi campeão várias vezes, fez história na São Vicente, na Acadêmicos do Litoral e, também, conosco aqui na Gaviões. Um mestre que ajudou a construir o que temos de mais bonito na cultura popular local.”
Reconhecido pelo talento e pela generosidade, Tino era conhecido por apoiar outras agremiações, mesmo quando estava diretamente ligado à São Vicente. “Sempre dava conselhos, ajudava todo mundo a crescer, buscava igualdade de condições para que o espetáculo acontecesse com qualidade para todas as escolas”, destacou Cláudio.
As escolas de samba estão se preparando para a retomada dos desfiles após a pandemia da Covid-19. “Estávamos reanimando os barracões, reacendendo os sonhos. E aí, a gente perde o Tino. É muito duro”, desabafou.
Cláudio também lembrou que o carnaval da cidade já havia perdido outros nomes históricos nos últimos anos, como Dona Milene, Nilo Monteiro, Gerson, Nelsinho Uberna, seu DiCésar da Leão da Estrada e Odiléia da Ponta do Caju. “Parece uma geração inteira se despedindo. O Tino ainda tinha muito a viver, muito a contribuir.”
Além de carnavalesco, Leontino era servidor público e atuava diretamente na área da cultura, mantendo-se envolvido com os movimentos artísticos mesmo nos períodos sem desfile. “Ele era apaixonado por tudo que dizia respeito à cultura da nossa cidade”, concluiu Cláudio.
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o velório e sepultamento de Leontino Zela Filho.
Qual é a sua reação?