Iguá acumula polêmicas: da derrota judicial de Felipe Neto no Rio às tarifas abusivas em Paranaguá
A concessionária Iguá Saneamento, que atua em diversas regiões do Brasil sob diferentes bandeiras — entre elas a Paranaguá Saneamento —, volta a ser alvo de polêmicas envolvendo a cobrança de tarifas de água e esgoto. O caso mais recente ganhou repercussão nacional: o influenciador Felipe Neto perdeu uma ação contra a empresa no Rio de Janeiro, contestando o valor considerado abusivo de uma cobrança de esgoto.
Na ocasião, o influenciador alegou que seu condomínio possuía uma estação própria de tratamento de efluentes em pleno funcionamento há mais de dez anos, o que tornaria indevida a cobrança. Mesmo assim, a Justiça entendeu que a Iguá teria respaldo legal para exigir a tarifa, já que existe rede coletora disponível na região e, conforme a lei estadual, todos os imóveis são obrigados a se conectar ao sistema público. O resultado: Neto recebeu uma fatura de mais de R$ 2,3 mil apenas de esgoto, e a concessionária saiu vitoriosa na disputa judicial.
Se no Rio a discussão gira em torno da legalidade da cobrança, em Paranaguá a indignação é parecida, mas parte do princípio da qualidade e do valor cobrado pelo serviço. A Iguá atua no município sob o nome de Paranaguá Saneamento, que recentemente anunciou um reajuste de quase 24% na tarifa de água e esgoto. A justificativa da empresa é de que a recomposição inflacionária de 2021 e 2022 não havia sido aplicada na época, e a decisão favorável foi obtida na Justiça.
Na prática, a concessionária se vale do mesmo argumento usado contra Felipe Neto: o contrato e a lei permitem a cobrança, independentemente da percepção da população sobre o serviço entregue. No entanto, moradores de Paranaguá questionam como a tarifa pode subir diante de problemas crônicos relatados diariamente, como esgoto despejado em rios, alagamentos com água contaminada em dias de chuva e água turva chegando às torneiras.
Em ambos os casos, a narrativa é semelhante: quando o consumidor questiona a cobrança, a empresa se apoia na lei e nos contratos para garantir o faturamento. A diferença é que, enquanto Felipe Neto conseguiu dar visibilidade nacional ao problema enfrentado no Rio, em Paranaguá a revolta é local, mas não menos significativa.
A população sente no bolso e nas condições de vida as consequências de um modelo em que a concessionária ganha respaldo judicial para aumentar tarifas, mas não convence o cidadão de que a qualidade do serviço justifica o valor cobrado.
A Iguá, que se apresenta como uma empresa privada voltada para investimentos e expansão da rede de saneamento, enfrenta uma resistência crescente onde atua. No caso de Paranaguá, já há multas aplicadas pela prefeitura e uma série de denúncias sobre falhas na coleta e tratamento de esgoto. No Rio, o episódio de Felipe Neto mostra que nem mesmo consumidores que investem em soluções próprias conseguem escapar das cobranças da concessionária.
A soma desses episódios evidencia uma realidade: a Iguá pode ter respaldo legal, mas enfrenta cada vez mais desgaste social. Seja nas ruas de Paranaguá ou nas redes sociais de figuras públicas como Felipe Neto, a crítica se repete: tarifas abusivas, serviços questionáveis e uma sensação de injustiça para quem paga a conta.
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