Matéria JB Litoral - Paranaguá se destaca com uma das melhores coberturas na rede de atenção a AIDS do Estado

Janeiro 20, 2026 - 10:33
Janeiro 22, 2026 - 10:40
 0
Matéria JB Litoral - Paranaguá se destaca com uma das melhores coberturas na rede de atenção a AIDS do Estado
O índice de mortalidade por AIDS e a transmissão vertical — de mãe para filho — têm apresentado redução no Brasil em razão dos avanços no tratamento e nas estratégias de prevenção segundo matéria exclusiva do Jb Litoral. De acordo com os dados mais recentes do Boletim Epidemiológico de HIV/Aids, divulgado pelo Ministério da Saúde, o Paraná se destaca entre os estados brasileiros pelas elevadas coberturas de serviços e pela organização da rede de atenção à doença.
 
Além de Curitiba, o documento aponta que o Paraná possui cinco cidades (entre as 100 do País com mais de 100 mil habitantes) no ranking do índice. Entre eles, Paranaguá. O relatório considera o “índice composto”, ou seja, foram analisados os municípios que tinham número elevado de pessoas diagnosticadas, número de pessoas em tratamento e que tiveram carga viral suprimida.
 
O JB Litoral conversou com o secretário municipal de Saúde de Paranaguá, Daniel Fangueiro, para conhecer as ações desenvolvidas no município em relação à doença. Paranaguá apresenta um histórico desfavorável para a incidência do vírus por estar localizada em uma região portuária, conforme destacou o secretário. No entanto, no último ano, o município conseguiu dar uma resposta ampla aos casos, com atendimento e acompanhamento adequados às pessoas que testaram positivo.
 
“Há uma política de ordem nacional com resultados em áreas mais endêmicas. Por Paranaguá ser uma cidade portuária, que envolve um contexto cultural, hoje podemos dizer que está sob controle. Os pacientes estão sendo diagnosticados e recebendo tratamento. Temos muitos casos, mas temos uma resposta ampla também”, explicou Fangueiro.
 
Foram mais de 10 mil testes realizados em 2025. Destes, 85 tiveram diagnóstico positivo, ou seja, a infecção ainda existe, situação que exige ações de conscientização e prevenção. O município tem 104 homens e 62 mulheres com diagnóstico. A faixa etária mais incidente tem sido de pessoas entre 30 e 39 anos.
 
 “O alerta precisa ser constante. O nosso Centro de Testagem e Aconselhamento funciona no Centro João Paulo II, com garantia na discrição do atendimento. Os doentes têm essa privacidade. Lá nós temos enfermeiros, psicólogos, uma equipe bem treinada também para acolher e dar seguimento ao tratamento”, ressaltou Fangueiro.
 
O tratamento é oferecido gratuitamente, assim como a testagem. Assim que um caso é confirmado, o acompanhamento é iniciado com suporte médico, psicológico e nutricional.
 
Além disso, ainda existe o PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) com o fornecimento de medicamentos que impedem o HIV de se instalar e se multiplicar no corpo logo após a exposição ao vírus. “O contato não é sinônimo de transmissão imediata. Caso haja esse contato, que a população saiba que existe esse serviço à disposição. Sempre que tiver dúvida, a orientação é procurar a unidade de saúde, das 8h às 17h”, disse Fangueiro.
 
Quanto a transmissão do vírus de mãe para filho, Paranaguá registrou apenas um caso em 2025 e um em 2024. Entre 17 gestantes com diagnóstico de HIV no ano passado, apenas em um caso foi registrada a chamada “transmissão vertical”, onde não pode ser evitada a infecção do bebê.
 
O problema pode ser prevenido em gestantes soropositivas, desde que o tratamento antirretroviral (ARV) seja iniciado precocemente, com uso de medicamentos durante a gravidez e parto, entre outras medidas que devem ser adotadas. Por isso, é importante intensificar a busca das gestantes no município para fazer o pré-natal, como afirmou o secretário de Saúde de Paranaguá.
 
“A gente teve um número quase 100% maior que em 2024, relacionado ao pré-natal. O índice de gestantes que tiveram ao menos seis consultas até a 12ª semana de gravidez aumentou muito. Isso é resultado da busca ativa dos agentes comunitários de saúde que fazem a busca dessas mulheres”, explicou Fangueiro.
 
Segundo ele, o serviço deve ser ainda mais fortalecido com a entrega da maternidade “Maria de Lourdes Elias Nunes”, anexa ao Hospital Regional do Litoral (HRL), que teve as obras retomadas recentemente e deve ser entregue em quatro meses.
 
O farmacêutico Samuel Augusto Gentilim, que atua na dispensação de medicamentos contra o HIV e para o tratamento da AIDS no Centro Municipal de Diagnóstico e Especialidade “João Paulo II”, explicou que o espaço atende tanto pessoas que tiveram relação sexual sem proteção e precisam evitar a infecção quanto aquelas que já estão em tratamento.
 
“Temos um medicamento, que você toma um comprimido por dia e está prevenido de contrair o vírus do HIV que causa AIDS. Aqui, fazemos a testagem rápida na hora e o medicamento é liberado na hora também. Assim, a pessoa já começa o tratamento. É feito um acompanhamento com exames clínicos e também laboratoriais para a gente ver se está tudo certo. O medicamento é muito seguro, não tem contra indicação”, observou o farmacêutico.
 
Paranaguá registrou cinco óbitos por AIDS em 2024 e três em 2025. A redução é confirmada também nos dados do Estado e do país. De acordo com o Ministério da Saúde, o Paraná apresentou redução significativa nas mortes por AIDS entre 2023 e 2024. O número de óbitos caiu de 548 para 429, o que representa uma redução de 21,7%.
 
Dados de todo o país também são positivos. Houve redução de 13% dos óbitos, passando de mais de 10 mil para 9,1 mil no mesmo período, o menor número em três décadas, segundo o último Boletim Epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde.
 
O resultado é atribuído ao trabalho de prevenção, diagnóstico e acesso gratuito pelo SUS a terapias capazes de tornar o vírus indetectável e intransmissível. “Alcançamos o menor número de mortes por AIDS em 32 anos. Esse resultado só foi possível porque o SUS oferece gratuitamente as tecnologias mais modernas”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Qual é a sua reação?

like

dislike

love

funny

angry

sad

wow