Soluções para melhorar o acesso a serviços de saúde nas ilhas do Litoral são debatidas na Alep
O fortalecimento da saúde nas ilhas do Litoral foi tema de uma audiência pública, realizada na última quarta-feira (21), na Assembleia Legislativa do Paraná, em Curitiba. O encontro acompanhado pelo jornal JB Litoral, que trouxe informações de que o evento discutiu os desafios enfrentados por comunidades insulares em relação ao acesso a serviços de saúde.
Com a plateia lotada, o encontro foi uma iniciativa do deputado estadual Goura Nataraj (PDT) e reuniu autoridades, profissionais da área, moradores das ilhas, lideranças comunitárias e representantes do poder público, com o objetivo de debater soluções para a atenção primária, o transporte sanitário e a presença de equipes de saúde, além de estratégias para ampliar o cuidado às populações que vivem em áreas de difícil acesso.
Além do atendimento provido pelos municípios, alguns tratamentos e procedimentos de maior complexidade só podem ser feitos na capital do Estado. Para atender a essa demanda das populações mais isoladas alguns projetos contam com a colaboração de profissionais voluntários, tais como os que foram apresentados durante a audiência:
Barco Saúde Única e Barco Sorriso (que levam tratamentos odontológico e de saúde às ilhas), Saúde nas Ilhas (em que profissionais de enfermagem atendem aos moradores em locais remotos), Cirurgilhas (mutirão de cirurgiões que faz triagem em Guaraqueçaba e os moradores passam por cirurgias no mesmo dia ou no dia seguinte) e também projetos de extensão universitária que atuam na região.
Todas essas iniciativas têm algo em comum, além de proporcionarem o acesso das comunidades mais isoladas a serviços que, de outra forma, dependeriam do deslocamento até a capital: em sua maioria, elas precisam de apoio financeiro para continuar e atender, ainda mais, à população.
“Tudo isso acontece com projetos de voluntários que precisam de apoio. Então, queremos que tanto as prefeituras, mas especialmente o Governo do Estado, apoie esses projetos, eles cumprem uma função social muito importante e devem ser permanentes. Com recursos destinados ao transporte, logística, alimentação e hospedagem, já que os profissionais são voluntários”, defendeu o parlamentar.
“Muitas vezes vemos o poder público preocupado com a festa em Matinhos, com a ponte de Guaratuba, mas se esquece que temos enormes carências de diversas áreas, na saúde, na educação, na infraestrutura, principalmente nesse recorte do litoral Norte, em que falamos das comunidades indígenas, comunidades que representam a cultura caiçara do nosso Estado e que sofrem diversas carências”, completou o deputado Goura.
Entre os presentes na audiência estava Silvania Pimentel, médica cirurgiã e coordenadora do programa de extensão “Cirurgilhas”, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ela explicou que, mesmo com as dificuldades, sobretudo de locomoção, o projeto já realizou centenas de cirurgias, em Guaraqueçaba.
“Levamos especialistas para essas regiões mais remotas, onde as pessoas têm muita dificuldade de locomoção para ter um tratamento especializado. Identificamos os problemas e realizamos o tratamento no mesmo dia, no mesmo local. Já fizemos mais de 550 procedimentos cirúrgicos. Dentre eles, o diagnóstico e o tratamento de sete casos de câncer de pele. Então, nós temos a equipe, mas precisamos sempre, toda vez que vamos organizar uma ação, da logística, alimentação e o transporte, principalmente o transporte. O transporte é muito difícil”, detalhou Silvania ao JB Litoral.
O projeto tem planos de ser ampliado e passar a atender comunidades também em Pontal do Paraná.
Já a vice-reitora da UFPR, Camila Fachin, ressaltou o potencial de expansão de atendimentos, por meio de mais projetos de extensão universitária.
“Atualmente, temos mais de 1.000 projetos de extensão na universidade e esses projetos são a nossa porta para a sociedade, a forma com que abrimos as portas da universidade para a sociedade. Então, temos muito interesse em parcerias com as prefeituras, com as comunidades locais, para que possamos levar o nosso conhecimento, a força de trabalho dos nossos alunos que vão estar lá interagindo com a comunidade e aprendendo muito nesses projetos”, falou a vice-reitora ao JB.
Representando a Prefeitura de Paranaguá, a secretária municipal de Saúde, Patrícia Scacalossi, destacou a importância da parceria entre as pastas municipais no apoio aos projetos voluntários.
“Estamos trabalhando muito em conjunto com o Secretaria de Desenvolvimento Rural e Ilhas, em relação a todo esse apoio, inclusive com barcos para levar os profissionais até as ilhas. Então, é uma parceria efetiva que vai trazer bastante resultado para o município”, afirmou Patrícia.
As demandas debatidas durante a audiência pública, com o pedido de uma política permanente de apoio às iniciativas voluntárias, serão entregues à Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa).
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