A intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, ocorrida no último dia 3, segue gerando forte reação de entidades sindicais e movimentos trabalhistas no Brasil e no exterior. A ação, que resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, acendeu um alerta na América Latina sobre riscos à soberania dos países da região e possíveis impactos diretos sobre o Brasil.
A preocupação se intensificou após declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que afirmou publicamente que o interesse dos Estados Unidos na Venezuela é o petróleo. Em entrevista veiculada nas redes sociais no dia 6, Trump também fez comentários considerados xenofóbicos ao se referir de forma pejorativa aos venezuelanos, o que provocou repúdio de lideranças sindicais e políticas.
Para a Central Única dos Trabalhadores (CUT), que representa milhões de trabalhadores e trabalhadoras no Brasil, a ação norte-americana vai além de qualquer debate ideológico sobre o governo venezuelano e configura uma grave violação do direito internacional. A entidade tem condenado de forma contundente a postura dos Estados Unidos, em alinhamento com sindicatos de diversas partes do mundo.
O secretário de Relações Internacionais da CUT, Antonio Lisboa, avalia que o episódio representa um precedente perigoso para toda a América Latina. Segundo ele, a violação da soberania da Venezuela abre margem para que outros países da região também se tornem alvos de intervenções externas. Para o dirigente, a defesa da soberania nacional e da autodeterminação dos povos é uma pauta histórica do movimento trabalhista.
Lisboa afirma que a narrativa de parte da direita brasileira, que tenta justificar a ação como a deposição de um ditador, ignora o ponto central da questão. De acordo com ele, independentemente das avaliações sobre o governo venezuelano, o que está em jogo é a invasão de um país soberano e o sequestro de seu chefe de Estado, o que considera inaceitável sob qualquer perspectiva.
O dirigente sindical também alerta que o Brasil pode ser diretamente afetado pelo agravamento da crise. Ele aponta que interesses estrangeiros sobre recursos estratégicos, como o petróleo, já se manifestaram no passado em relação ao pré-sal, e que a lógica da intervenção segue o mesmo padrão. Para a CUT, a defesa da soberania brasileira está diretamente ligada à defesa dos direitos dos trabalhadores e do controle nacional sobre suas riquezas.
Outro ponto levantado é o uso da política externa como instrumento de disputa interna nos Estados Unidos. Segundo Lisboa, as ações de Trump dialogam com seu público doméstico, especialmente em contexto eleitoral, buscando demonstrar força e ampliar apoio político, mesmo que isso resulte em instabilidade internacional.
Autoridades venezuelanas informaram que o ataque deixou ao menos 100 mortos, incluindo civis. Para o secretário da CUT, minimizar essas perdas como efeitos colaterais desumaniza a população e evidencia o desprezo pela vida, postura rechaçada pelo movimento sindical.
No cenário internacional, a CUT destaca que há consenso entre entidades trabalhistas. Centrais sindicais dos Estados Unidos, da Europa, da América Latina e do Canadá condenaram a agressão à Venezuela, reforçando a posição histórica do trabalhismo em defesa da paz, da soberania e dos direitos dos povos.
Diante do cenário, a CUT defende o fortalecimento da articulação entre trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais no Brasil e na América Latina, com o objetivo de preservar a região como uma zona de paz, autonomia e prosperidade, além de combater políticas consideradas entreguistas e contrárias aos interesses da classe trabalhadora.