Ano foi marcado por embates entre Prefeitura e Paranaguá Saneamento, com reajuste barrado, fiscalizações e investigação ambiental
O ano de 2025 ficou marcado em Paranaguá por uma série de enfrentamentos entre a Prefeitura e a concessionária Paranaguá Saneamento, envolvendo reajustes tarifários, fiscalizações, multas milionárias e investigações por possíveis crimes ambientais. O tema do saneamento básico esteve de forma recorrente no centro do debate público ao longo de todo o ano, mobilizando o poder público, órgãos de controle e a população.
A principal controvérsia girou em torno da tentativa de aplicação de um reajuste de 23,92% nas tarifas de água e esgoto. A medida, autorizada judicialmente a partir de um pedido da concessionária, foi classificada pelo prefeito Adriano Ramos como abusiva e injusta. Desde o início, a administração municipal se posicionou contra o aumento, argumentando que ele oneraria de forma desproporcional a população e penalizaria famílias de baixa renda.
Diante do anúncio do reajuste, a Prefeitura recorreu à Justiça e passou a adotar uma postura mais rigorosa de fiscalização sobre a concessionária. Ao longo do ano, operações conjuntas identificaram cobranças por serviços de esgoto inexistentes, além de diversos pontos de lançamento irregular de resíduos em rios e áreas sensíveis do município. As ações resultaram em autuações e na aplicação de multas que, somadas às penalidades impostas pela agência reguladora, ultrapassaram a casa das centenas de milhões de reais.
O embate ganhou um novo capítulo quando o Município obteve decisão favorável no Tribunal de Justiça do Paraná, que suspendeu a aplicação do reajuste tarifário. A decisão considerou que o aumento superava a inflação do período e poderia causar grave impacto social, comprometendo o acesso da população a um serviço essencial. Com isso, a concessionária ficou impedida de aplicar imediatamente os percentuais reivindicados, garantindo alívio momentâneo aos consumidores.
Paralelamente à disputa judicial, a Prefeitura intensificou a fiscalização ambiental. Denúncias envolvendo o lançamento irregular de materiais oriundos de estações de tratamento levaram à realização de perícias com a participação da Polícia Federal, do Instituto Água e Terra e de órgãos municipais. As investigações apontaram indícios de contaminação da Baía de Paranaguá, ampliando a gravidade do caso e levando à abertura de inquérito para apuração de responsabilidades.
Ao longo do ano, a gestão municipal também avançou nos trâmites administrativos para discutir a possível rescisão do contrato de concessão, alegando descumprimento de cláusulas contratuais, prejuízos à população e danos ambientais. O tema passou a ser tratado como prioridade pela Prefeitura, que defendeu a necessidade de uma mudança estrutural no modelo de saneamento da cidade.
A sucessão de episódios consolidou 2025 como um dos anos mais tensos na relação entre o Município e a concessionária de água e esgoto. Para 2026, a expectativa ficou em torno do desfecho dos processos judiciais, do andamento das investigações ambientais e das decisões dos órgãos reguladores sobre o futuro da concessão, mantendo o saneamento básico como um dos principais temas da agenda pública de Paranaguá.
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